Pelo blog “Bravio” o bando dos mata-velhos

fonte: Bravio o bando dos mata-velhos

Muito se tem falado dela, por estes dias, quase sempre mal e, em certos e determinados casos, também por mal.

Compro a preocupação com o envelhecimento da classe docente, tal como compro a preocupação com o envelhecimento de todo e qualquer grupo ou classe profissional e da sociedade em geral. Só o envelhecimento do vinho do Porto é que não deve causar preocupação a ninguém. Todavia, deste ponto até ao ponto a que tem sido levado o tema vai uma graaaaaaaaaaaaaaaande distância, quer na extrapolação quer nas intenções.

Toda a gente sabe por que motivos não se rejuvenesce a classe docente: os mais velhos estão a ser sugados até ao tutano e os mais jovens não são burros. É uma profissão demasiado castigada, demasiado explorada e muito pouco respeitada por quem de… torto. Portanto… Contudo, há por aí um certo coro grego (de gente mal autorizada) que, à boleia desta fatalidade, tal como fez Maria de Lurdes Rodrigues (à bruta) pretende reerguer a hostilidade pública e a desconfiança relativamente à competência dos professores, já não em geral, mas em particular: os mais velhos são agora o alvo dos franco-atiradores modernaços, dos embaratecedores da Escola Pública, daqueles que a veem como despesa, como desperdício. É a ideia que se faz passar quando se sugere que, dentro de uma década, o sistema estará purgado dos “instalados”, daqueles que resistem à mudança, daqueles que… apenas servem para dar secas aos putos, que já não os entendem nem querem entender, que não entendem nem querem entender os novos paraísos pedagógicos, povoados de aves renascidas das cinzas. No fundo, o que esta gentinha, herdeira de Dona Lurdes, anda a dizer à sociedade é mais ou menos isto: “Muito do esforço que tem sido feito para modernizar a Escola tem esbarrado na inércia deste corpo docente envelhecido, caquético, empedernido”. E o cidadão comum entende as coisas mais ou menos assim: “É claro que os putos do século XXI estão a ser castrados pelos velhotes dos meados do século passado. Se não são totalmente culpados pela desmotivação e pelo insucesso dos nossos meninos, têm, pelo menos, a maior parte da culpa”.

Sempre pensei que, com a idade, um professor ia ganhando experiência, tato, visão periférica, olho clínico… sageza. Mas estava equivocado, rotundamente enganado. Afinal, a partir dos cinquenta anos já somos… empecilhos, aborrecedores de jovens, produtores de tédio, castradores de futuros promissores, forças de bloqueio… enfim, trastes velhos e sem serventia. Eu só não me atiro já pela janela porque estou no rés-do-chão (e porque os cabecilhas do bando dos mata-velhos ainda são mais velhos do que eu).

Respeitoso manguito!!!

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