Paulo Guinote – O ano do Verdasca

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Quase todos os governos têm, em especial na área da Educação, uma figura entre o carismático e o patusco, que concentra em si os estereótipos da ideologia dominante no momento. No caso do PS, há sempre alguém que tem essa missão de espalhar a boa palavra em defesa dos pobres e desfavorecidos, andando a vender ilusões de sucesso alegadamente a custo zero. Em tempos de Sócrates/MLR foi o inefável Luís Capucha, o grande mentor da Novas Oportunidades a quem ouvi gabar-se que podia mandar um inspector a qualquer escola, assim ouvisse na rádio uma notícia qualquer menos agradável (para que constem os factos, saíamos de uma entrevista comum na Antena 1 e há pelo menos uma testemunha do que foi dito, testemunha a quem, por acaso, foi logo perguntado de que escola era…).

Em tempos de António Costa este papel é de José Verdasca, o responsável pelo novo Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar, conforme se pode ler na entrevista que dá ao Público de hoje. Como Capucha, Verdasca é uma espécie de académico operacional em defesa do sucesso escolar dos alunos e das boas práticas pedagógicas, desde que ele apenas as supervisione e não tenha de passar por uma sala de aula do Ensino Básico, como se percebe pelo seu currículo. Não o conheço pessoalmente, nunca nos cruzámos, mas isso não significa que não vá arquivando as manifestações da sua desconfiança e menosprezo pelos professores, algo que – ao menos isso – nem sequer esconde – com declarações de estulta sapiência como a seguinte que vou transcrever de forma longa: […]

Para Verdasca a “funcionalização” da profissão docente parece ser culpa dos professores e não do poder político a que ele serve com devoção sempre que o PS vem à tona e à sua “desvalorização” parece ser alheia a acção política:[…]

[…] De qualquer forma, fica aqui a parte 2, dando a palavra, com transcrição fiel dos excertos da entrevista ao Público, a José Verdasca e à sua desconfiança em relação à capacidade profissional dos professores, para não falar nos tropeções lógicos como o seguinte: […]

Ou seja, o facto de terem legislado a transição automática do 1º para o 2º ano, levou a que os professores se desleixassem e passassem depois a reter alunos no 2º ano. Não se considera a hipótese de – nem que seja em tese – a eliminação da repetência por decreto ter sido errada. A sua aplicação é que foi mal feita pelos professores.[…]

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5 respostas a Paulo Guinote – O ano do Verdasca

  1. Bazófias diz:

    Será que essa ave rara profissional da política…fez alguma coisa na vida

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  2. coeh diz:

    Já proíbem as retenções no 1*@no quando se sabe ser mais vantajoso na maioria dos casos, mudar para uma turma de 1ano e repetir a aprendizagem da escrita e da leitura do que na sua de 2ano a serem lecionadas matérias desse ano com o professor a fazer das tripas coração para acudir a esse (s) aluno (s).
    Nas costas dos professores preparam a doutrinação através da coluna forte da escola menos democrática.

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  3. Miguel Jorge Gameiro Ferreira e Silva diz:

    Eu pessoalmente sempre fui contra a retenção, caso o aluno se esforce e não consiga atingir os objetivos/competências/metas (posso inventar outro). Mas a nossa organização da escola, já caracterizada por caixa de ovos, não favorece nem ajuda um aluno que não é retido no 1 ano.

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    • coeh diz:

      Esse é o problema! O professor de apoio é desviado para uma substituição mais longa e adeus apoio. No inicio do ano passado privilegiaram o apoio ao 4º ano e depois cancelaram os exames. Agora acho que será o 1º/2º anos a ter mais apoios.

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  4. E eu sou contra os professores de apoio…isso não passa quase sempre de uma treta…Sim..Treta…Se querem mesmo..sucesso a sério….voltem a pôr os horários das 9.00 as 12.00 e da 1.30 as 15.30…E proíbam as AEC….As crianças precisam de descansar ..precisa de dormir e precisam de estudar e consolidar matérias..Acontece que nestes moldes os alunos não estudam …pura e simplesmente….Depois há duma vez por todas..tentar fazer turmas só de um ano de escolaridade e também com um máximo de 15 alunos por turma…Só com atitudes destas é que há sucesso.Depois…diminuir para 1/3 os professores de Ensino Especial…a maioria..de ensino especial nada tem…antes sim fazem o papel de professores de apoio..o que é vergonhoso….Se tem formação especifica ..há que a pôr em prática para alunos especiais…Se não têm formação especifica…ou voltam a dar aulas normalmente ou então rua com eles…Eu odeio quem se coloca à sombra da bananeira!!!!Qualquer dia há mais professores de apoio…de ensino especial….bibliotecários.,.psicólogos…aecs…do que professores titular de turma…o qual leva com todo o trabalho e com toda a burocracia e com toda a responsabilidade..Enfim!!!!

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