Manuscrito encontrado nos escombros da Educação Portuguesa …

Era uma vez um país, que bem conhecemos , onde um ministro tinha o fetiche dos exames determinando que possuíam o efeito milagroso de melhorar o sistema educativo. Tal efeito apontava para um sistema em que a aprendizagem e a sua consolidação era menorizada e substituída pelo treino sistemático numa corrida contra o tempo para preparar os alunos para a salvação, o dito exame. Esta ideologia substituía o papel essencial de uma aprendizagem respeitadora do ritmo dos alunos, por uma corrida visando a obtenção de um bom resultado no exame .
Com a chegada de uma nova personagem ao governo desse país, o novo ministro apressou-se a mudar de paradigma e os exames foram abolidos. Os professores,os alunos e os encarregados de educação sentiram-se aliviados. Em sua substituição reapareceram as provas de aferição agora para os alunos do 2º e 5º ano a serem aplicadas neste ano letivo. O tempo foi passando sem surgirem novidades sobre a aplicação deste novo modelo de avaliação. A expetativa foi-se transformando em apreensão, até que um dia surgiram novas informações, o que antes era de aplicação obrigatória passava a transitório e no seguimento desta surpresa a decisão da sua realização era empurrada para os Agrupamentos, na figura dos Conselhos Pedagógicos e do Diretor .
Se pensavam que estas brilhantes novidades tinham terminado estavam enganados , pois como vivíamos o período pascal deu-se um milagre, as provas de aferição do 2º e 5º ano ressuscitavam. Acabaram os exames, mas a pedido de algumas “famílias” os Agrupamentos iriam poder realizá-los, não se sabe bem para quê. Podiam dormir todos descansados porque não contavam para a avaliação dos alunos. Os governantes, tal como Pilatos, lavaram as suas mãos e os outros que tratassem do servicinho. Brilhante autonomia, produto de quem não decide e passa a “batata quente” ao parceiro do lado para que assuma as consequências dessa decisão.
Volta a instabilidade e a confusão. Está aberta a porta para que, no escasso número de dias letivos que vamos ter neste 3º período, retorne a falta de serenidade tão necessária para terminar este ano letivo. Seria importante o retorno do bom senso e que se percebesse o que era melhor para os alunos, pesando as vantagens e desvantagens da realização destas provas no espaço curto de tempo que nos espera até o ano letivo terminar .
A decisão de realizar estas provas, neste momento, não contribui para a pacificação do trabalho pedagógico a desenvolver e reintroduz uma instabilidade desnecessária em todos os intervenientes .
As provas de aferição do 2º ano, a serem realizadas, só dependem do Ministério da Educação, na matriz que fornece aos Agrupamentos, visto que a sua realização e correção será da responsabilidade dos professores indicados pelo Conselho Pedagógico. Estas provas realizando-se dentro deste enquadramento, não serão muito diferentes daquelas que se realizam na avaliação interna, razão pela qual são dispensáveis e só acrescentam mais trabalho desnecessário. Não se constituem como aferição nacional porque teremos situações bem diversificadas de realização ou não das provas e muitos alunos não as irão realizar visto que não são obrigatórias. Estas provas, quanto muito, serão mais um registo diagnóstico de que uma aferição real .
Estas surpresas não acrescentam estabilidade ao processo educativo que as escolas desenvolvem e este esforço que se irá pedir às escolas e aos professores não acrescenta credibilidade, nem reforça uma avaliação que se pretende justa e adequada dos alunos com que lidamos dia a dia e com os quais construímos um processo permanente de aprendizagem. Para concluir se os Agrupamentos decidirem realizar as provas iremos ter de operacionalizar em dois meses, numa correria desgastante, todo um processo que as estruturas educativas do Ministério realizam durante um ano letivo.
Esperemos que realmente o bom senso prevaleça a bem da Educação.

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