A Direita Vendida

O Estado Novo, ou o salazarismo, era um regime nacionalista. Por ser uma ditadura, conservador, anti-comunista e anti-liberal e, acima de tudo, por ter durado muito, o salazarismo foi confundido com a Direita portuguesa. Passou a ser entendido como a essência da direita portuguesa. Para os seus adeptos

e opositores, durante quarenta e alguns anos a Direita era o salazarismo e era nacionalista.

A realidade não era essa, mas a imagem projectada pela propaganda de António Ferro foi a de uma direita que tinha as glórias de Quinhentos e os Lusíadas como padrão da identidade nacional. Um grande povo de uma pequena nação. Portugal contra o Adamastor. Portugal contra o Mundo. O mapa de Henrique Galvão para a Exposição Colonial, com as colónias portuguesas a cobrirem a Europa e a legenda: Portugal não é um país pequeno, representa o pensamento da direita nacionalista portuguesa.

Essa direita foi apenas um hiato na história política da direita portuguesa, pelo menos desde o Tratado de Methuen.  A velha direita, a direita da História, a direita de sempre, a da venda e do servilismo, é a que recebe hoje os funcionários da Troika com entusiasmo e fervor…

aviagemdosargonautas.net/biscates-a-direita-vendida-por-carlos-de-matos-gomes/

 

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Uma resposta a A Direita Vendida

  1. Decidi dar hoje à estampa mais um estado de alma, ou seja, eu, professora do 1º ciclo me confesso. Esta confissão traduz-se numa reflexão sobre a campanha nacional que a FENPROF está a desenvolver subordinada ao mote “Pela Valorização do 1º ciclo”. Pela leitura da diversa imprensa (e.g. TVI) sobre esta iniciativa fiquei a saber que, no entender do secretário-geral daquela organização sindical, o 1º ciclo vive “uma confusão que ninguém se entende e que cria desigualdade entre alunos de várias escolas”. Acrescentando ainda que “há uma confusão”, no que respeita ao regime de docência.
    E pergunto eu, (que sou ingénua) quanto à desigualdade entre professores deste nível de ensino e os restantes, concretamente, no que concerne aos horários (componente letiva semanal) e à redução da componente letiva? Estas são duas das condições que alimentam clivagens e desigualdades entre professores dos vários níveis e às quais o sindicato evidencia um silêncio ensurdecedor.
    Para Mário Nogueira esta campanha visa “dar a conhecer um mar de problemas que se têm vindo a agravar, abafados, porém, pelas paredes de cada sala de aula.” Esta asserção denota uma clara consciência da realidade que afeta este nível de ensino, por parte das estruturas sindicais. Então urge indagar quais as iniciativas do sindicato para a contrariar? Enunciar factos em nada adianta, relativamente ao estado que isto chegou, para a sua solução. Se muitos calam com medo de represálias, há muitos outros que gritam verdades incómodas e por isso, por vezes, sofrem os desmandos daqueles que cegos pelo poder obedecem à voz do dono.
    O secretário-geral da FENPROF faz-me lembrar um ilusionista de fraca categoria que com truques mágicos banais procura iludir os “ingénuos” professores do 1º ciclo, os quais ele parece associar à classe pouco reivindicativa e de menor estatuto do estado novo, fazendo que vai tirar da cartola a salvação da espécie, fazendo jus ao provérbio “com papas e bolos se enganam os tolos”. Nas palavras daquele dirigente “não surpreende, pois, que cresçam os gritos de revolta dos professores e a FENPROF quer ampliá-los para que os problemas deixem de ser ignorados e passem a ser resolvidos.” Quer mesmo?!!! E quais são as propostas para a resolução dos problemas há muito sabidos e nunca resolvidos? As soluções são bem conhecidas, de todos os interessados, e razoáveis na proporção, pelo mais parece que a FENPROF quer capitalizar o descontentamento que grassa neste nível de ensino e cavalgar o mérito da sua pseudo-resolução.
    Julgo que, com esta campanha, se pretende uma vez mais, a exemplo do que tem sido a regra, jogar com as expetativas legítimas dos profissionais deste nível de ensino, em troca de uma reforma, para todos os professores, em iguais condições. E no final seremos mal-agradecidos por não reconhecermos o esforço realizado pela estrutura sindical. Ora, Mário Nogueira lança, como dizia EÇA, “sobre a nudez crua da verdade, o manto diáfano da fantasia”.
    Feito o desabafo, espero que a montanha não vá parir um rato e que efetivamente, desta vez a FENPROF se mostre à altura e se empenhe de uma vez por todas, de forma transparente e solidária, com os profissionais deste nível de ensino, na resolução efetiva dos problemas que os afetam no seu quotidiano. Contudo como trabalhadores exemplares que são não deixam que tal afete o seu desempenho, junto daqueles que, em primeira linha, interessa salvaguardar, os alunos.

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