Tomada de posse do governo

A Direita dá pulos e vomita fogo perante o perfil do programa do Governo do PS, mormente as medidas de caráter económico que pretendem fazer aumentar o rendimento dos portugueses, especialmente dos mais desfavorecidos. Dizem que mais consumo é anátema. Os portugueses tem direito á pobreza, à miséria e prometer-lhes uma vida melhor é sacrilégio. Tristes salafrários.
A máscara cai-lhes e mancha-lhes os beiços carregados de ódio de classe. Mais consumo para os mais pobres é heresia. Mas mais prebendas para os famigerados investidores, que ninguém viu durante quatro anos, para a remuneração dos capitais e dos espúrios banqueiros, financistas e outros actores da tramóia da economia de casino em que o capitalismo se tornou, isso sim, é música celestial para os ouvidos desta Direita ressabiada e vende-pátrias.
Ainda assim, nada que não fosse expectável. O mais grave, é o estado a que conduziram o ânimo dos portugueses, condicionando-o com homílias constantes de desgraça. À força de tanta desgraça anunciada, parece que os portugueses até já desconfiam que seja possível ter um pouco mais de conforto, e sobretudo até duvidam que a esse acréscimo tenham direito. A Direita semeou a culpa pelas almas dos portugueses. Somos todos pecadores, por termos direito a duas malgas de sopa e não somente a uma. Foi essa a narrativa que a Direita nos serviu durante quatro anos, deletéria, nauseabunda e monástica.Tanto ou mais grave que a venda das empresas públicas, que o desmantelamento do Estado Social, que o aumento da dívida pública, que o aumento do desemprego e da emigração dos mais jovens, foi o roubo da esperança e do ânimo dos portugueses e o retorno ao espírito miserabilista e pequenino, que me leva a dizer que nos últimos quatro anos fomos governados por um bando de criminosos que não merece qualquer perdão ou complacência.

E um país sem esperança, um país que se se sente culpado e a pecar por tentar melhorar as suas condições de vida, é um país sem futuro, um país condenado a ser encerrado nos livros de história e nos labirintos da memória.

Mais que recuperar o rendimento das famílias, o novo Governo terá pela sua frente uma urgente e ciclópica tarefa. recuperar a autoestima dos portugueses, e levá-los a lutar com garra e empenho por uma vida melhor. E sentir que tem direito a essa melhoria, sem sombra de culpa, sem sombra de pecado.

Estátua de Sal, 02/12/2015

 

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