Sobre a agressão em Guimarães – Pedro Guerreiro, in Expresso.

“Vamos supor que a besta quadrada até foi o agredido. O que vemos são só trinta segundos de imagens, não sabemos se aconteceu algo antes nem o que é dito durante. Sabemos que é inverosímil haver ameaça à ordem pública ou ao agente, dada a pacatez dos circunstantes, que aparentemente se estão a fazer difíceis em destroçar. Sabemos que a agressão máxima terá sido verbal. E sabemos que sabemos que aqueles trinta segundos vão mudar a vida daqueles miúdos para sempre. Mas sim, vamos imaginar que o homem que está prestes a levar uma tareia disse a pior coisa possível, que o homem mais velho pior ainda e até que os miúdos são uns selvagens. Mesmo que tudo isto tenha acontecido – e não é nada disso que se vê -, a reação do agente policial é injustificável, pela desproporção, pela gratuitidade da violência e pela cegueira de sovar um pai à frente do filho. Foi tão escabroso que há um polícia que acode imediatamente ao miúdo, afastando-o e tapando-lhe a visão. E foi tão evidente que o operador de câmara da CMTV, inteligente, cedo percebe que a “notícia” não é o homem que está a apanhar, é o miúdo que está a ver – para quem ele desvia a câmara.

É evidente que, neste caso, o agente tem de ser expulso da força policial. “A PSP tem por missão assegurar a legalidade democrática, garantir a segurança interna e os direitos dos cidadãos, nos termos da Constituição e da lei” – e nesta missão não há um asterisco que diga que “em certos casos é admissível que um agente perca a cabeça e esmurre famílias que à sua ordem não destrocem imediatamente dos muretes onde se demoram”. Até porque o agente é graduado, é comandante, é experiente – e dá medo pensar nessa experiência e em quem passou por ela… . Em Guimarães, aquele miúdo viu o que miúdo nenhum pode ver. Só que desta vez nós também vimos. E se a CMTV não estivesse ali? A pergunta na verdade não é essa. A pergunta é: e quantas vezes a TV não está ali? E nesses vezes, a PSP faz o quê? Os agentes policiais que violam os princípios da lei e envergonham a sua própria força, o que lhes acontece?” Pedro Santos Guerreiro, in Expresso.

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